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Biografia de Mateus Tchiqueve Funhete

Mateus Tchiqueve Funhete, nasceu em 28 de Setembro de 1996, na comuna de Ussoque, município de Londuimbali, província do Huambo, Angola, onde fez parte dos estudos primários. Em 2006, com 9 anos, mudou-se para a província da Huíla, onde concluiu os Estudos Primários e, consequentemente, fez o Iº e IIº Ciclos do Ensino Secundário e a licenciatura. É Pós-Graduando em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e Afro-brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Brasil; É licenciado em Ensino da Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências de Educação da Huíla (ISCED-Huíla). É membro da Academia de Autores da Huíla e do Movimento Cultural e Literário Vanguarda Huilana, é vice-presidente deste último. Em 2021, publicou a sua primeira obra poética intitulada “O Grito Subtil” na mesma academia. Tem poemas publicados nas antologias poéticas “Elos poéticos, África-Brasil” e “Consequência de Adversidade da Diversidade, Vol. I e II”. A sua obra poética, o Grito Subtil,...

MIRAGENS

 Oh, Jolomba, o que seria de nós Se das frondes das palmeiras nosso amor transbordasse E em cada gota renascêssemos do húmus chamejante E nosso amor fosse viajante Atemporal E em cada passo Cada respiração  Cada olhar  Cada lugar  Cada paragem Cada transeunte Cada e todo tempo o denunciasse O que seria de nós Se ao invés da paragem bombeasse E em cada batimento O Mingo jornalista revelasse, sem medo, ao mundo Nas rádios, nos jornais e nas tvs Nossos beijos que daríamos Lá na parede de adobe da tia Chica Nossos abraços que ficaram de nos aquecer Lá nos becos frios e escuros do bairro da Mitcha De noite em noite Sem medo da noite Dos Makixi E do Landu facínora O que seria de nós Se ao invés dos outros de nós falássemos Se o nosso amor fosse qual imbondeiro Lá na aldeia do velho Citekulu Ah, Jolomba! Olha o nosso amor Ficara sem nós E os tempos, as vociferações e as chagas esfumaram-no. Cikeve, 15/04/2022

DISSECAÇÃO

Desejei remar o infinito mar Intactas e mortas estavam as ondas Desejei meditar as palmeiras, o olor da terra e das flores Seco estava o plantio Desejei o chilreio dos pássaros Morta estava a fauna Desejei o bramido das águas Secos estavam os rios Ante o vazio Desejei contemplar o homem Entretanto morta estava a Humanidade Desejei então o silêncio Mas fragoroso era ele Ante a agonia O sal da minha alma desejaram os meus lábios Todavia secas estavam as minhas entranhas Era eu moribundo tudo o que restava E ainda assim desejei contemplar-me a mim Mas não pude, morto estava eu Ante o abismo, esperancei renascer uma flor Porém de gigantescas rochas se fizera o meu jazigo. Cikeve, 10/07/2021