DISSECAÇÃO

Desejei remar o infinito mar
Intactas e mortas estavam as ondas


Desejei meditar as palmeiras, o olor da terra e das flores
Seco estava o plantio


Desejei o chilreio dos pássaros
Morta estava a fauna


Desejei o bramido das águas
Secos estavam os rios


Ante o vazio
Desejei contemplar o homem
Entretanto morta estava a Humanidade


Desejei então o silêncio
Mas fragoroso era ele


Ante a agonia
O sal da minha alma desejaram os meus lábios
Todavia secas estavam as minhas entranhas


Era eu moribundo tudo o que restava
E ainda assim desejei contemplar-me a mim
Mas não pude, morto estava eu


Ante o abismo, esperancei renascer uma flor
Porém de gigantescas rochas se fizera o meu jazigo.


Cikeve, 10/07/2021

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