MIRAGENS
Oh, Jolomba, o que seria de nós
Se das frondes das palmeiras nosso amor transbordasse
E em cada gota renascêssemos do húmus chamejante
E nosso amor fosse viajante
Atemporal
E em cada passo
Cada respiração
Cada olhar
Cada lugar
Cada paragem
Cada transeunte
Cada e todo tempo o denunciasse
O que seria de nós
Se ao invés da paragem bombeasse
E em cada batimento
O Mingo jornalista revelasse, sem medo, ao mundo
Nas rádios, nos jornais e nas tvs
Nossos beijos que daríamos
Lá na parede de adobe da tia Chica
Nossos abraços que ficaram de nos aquecer
Lá nos becos frios e escuros do bairro da Mitcha
De noite em noite
Sem medo da noite
Dos Makixi
E do Landu facínora
O que seria de nós
Se ao invés dos outros de nós falássemos
Se o nosso amor fosse qual imbondeiro
Lá na aldeia do velho Citekulu
Ah, Jolomba!
Olha o nosso amor
Ficara sem nós
E os tempos, as vociferações e as chagas esfumaram-no.
Cikeve, 15/04/2022
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